Tuesday, September 28, 2010

How to be Alone

Quero partilhar esta pequena maravilha convosco, que a Lili teve a excelente ideia de me mostrar...



Acho que é importante sabermos estar sozinhos. Sempre achei. Também acho que nunca soube expressar muito bem essa ideia e portanto este vídeo fá-lo melhor que eu...

Temos de valer por nós mesmos, temos de gostar de nós por quem somos. Temos de primeiro conhecer o mundo que vai cá dentro e amá-lo, antes de nos podermos atirar ao mundo lá de fora e esperar ser amados de volta. E, enquanto o fazemos, há pequenas coisas que tornam tudo melhor. Às vezes esqueço-me de umas quantas. Mas gostei de me lembrar do conforto que é estar sentada sozinha num banco de jardim, da companhia que faz um livro num cafézinho ou do quanto fará alguém feliz ir escrever cartas para uma biblioteca...

MJNuts

Amizade

"A amizade é a única relação afectiva incompatível com a ambivalência. Já vimos que, no enamoramento, podemos odiar a pessoa amada. Podemos ser ambivalentes em relação aos nossos pais ou aos nossos filhos. Não podemos, ao contrário, ser ambivalentes em relação aos amigos. Se no-lo tornarmos, a amizade sofre e, se a ambivalência continua, desaparece. É este, provavelmente, o motivo pelo qual os amigos preferem ver-se de quando em quando, quando têm vontade, em lugar de viverem juntos. Uma convivência contínua cria, inevitavelmente, motivos de dissabor, de ressentimento, pequenas coisas que, no entanto, somando-se, se podem tornar grandes. A convivência tende a consolidar as relações afectivas mas, ao mesmo tempo, divide. Os enamorados escolhem esta estrada e este risco porque tendem à fusão. A amizade, pelo contrário, prefere renunciar à fusão a favor do encontro. O encontro é sempre positivo. A amizade é uma filigrana de encontros, não é ambivalente."

Francesco Alberoni, A Amizade



MJNuts

Thursday, September 23, 2010

Maçanetas

Aos meus 18 anos, numa noite fria das férias de Natal, tradicionalmente passadas no Alentejo, algo me atingiu. Não sei como lhe chamam os especialistas no assunto. Quando toda a casa silenciou e só a luz junto a mim a iluminava, fui atingida por um raio de inspiração. Era uma história que tinha de ser contada, para a qual eu já tinha alguns planos, mas nessa noite as ideias invadiram-me e escreveram-se sozinhas. Durante horas a fio, ao som de músicas a que eu chamo fantasy-inducers (e este fantasy refere-se ao género literário), escrevi mais de vinte páginas de uma história em que nunca mais voltei a pegar, mas que ainda não esqueci.

Ontem, e porque me sinto a regressar a uma parte de mim que gostava e que durante anos deixei dormente, peguei nos cadernos, e depois nos ficheiros de computador, e voltei a ler o início de uma história que só a mim pertence.

Ainda hoje me admiro com a força daquelas palavras. Hoje espanto-me com o facto de uma miúda de 18 anos ter conseguido descrever tão minuciosamente a criação de todo um mundo, de toda uma mitologia.

Há partes de mim que eu não devia deixar fugir. Deve ser por isso que nestes dias cai sobre mim uma felicidade serena de quem sabe que é bom a leitora e escritora em mim estar de volta.

Como de todas as vezes que reli, a minha passagem preferida é a mesma:

"Garieth vestiu-se e dirigiu-se à porta. No interior dos pálacios, reparou então, tal como no interior das pequenas casas, as portas têm maçaneta. Pousou lá a sua mão e pressionou."

Não sei se é pelo contexto na história, se é pela mensagem que me transmite. Uma mensagem que só aos 24 anos associei ao provérbio italiano: "No fim do jogo, o rei e o peão vão para a mesma caixa".


Começo a aperceber-me que, mais do que gostar das infinitas coisas que nos fazem diferentes, aprecio as coisas mínimas que nos fazem iguais e que nos esquecemos de valorizar.

MJNuts

Friday, September 17, 2010

A História Interminável

Eu suponho que não deveria, não quando já li nomes como Tolstoi, Wilde, Orwell ou o nosso Eça, mas A História Interminável, de Michael Ende, é o meu livro preferido. Não tem a ver com o brilhantismo da narrativa ou a inteligência do enredo, tem a ver com o que me faz sentir. Há quem o considere um livro para crianças, mas para mim é muito mais que isso. Permite a um leitor adulto relembrar as suas sensações de infância ao mesmo tempo que se apercebe da complexa metáfora sobre o mundo actual, sobre a tristeza e desencanto em que a sociedade caiu.
Quando o li pela primeira vez, no Verão dos meus 16 anos, não consegui parar. Fiquei a ler até a luz do Sol raiar e fui dormir com uma sensação profética no peito. Lembro-me perfeitamente de estar leve, apesar de cansada, de sorrir antes de deitar a cabeça na almofada, de sentir que tinha acabado de absorver uma grande lição de vida.

Agora que finalmente, 8 anos depois, o voltei a reler, já com olhos mais críticos, percebi que a tradução da obra não é a melhor. Não que eu saiba alemão e tenha tido acesso ao original, nada disso. Mas quando há erros ortográficos e de pontuação, uma pessoa desconfia. A minha memória selectiva encarregou-se de apagar esse pequeno pormenor. Felizmente, não estragou em nada a minha experiência.

"Faz o que quiseres" é o mote da história. Uma expressão que pode ser interpretada de tantas formas diferentes... E é isso que Bastian, o protagonista, tem de aprender ao longo da sua jornada. Nunca na minha vida li nada, fosse conto ou livro de mil páginas, que ilustrasse tão bem o percurso de uma viagem de crescimento interior... Acho que, acima de todas as outras coisas deliciosas, da imaginação delirante, das narrativas paralelas e/ou entrelaçadas, das imagens sublimemente descritas, o que mais me prende à História Interminável é precisamente a viagem interior.

Há tantas passagens que reflectem as nossas perspectivas sobre a Vida ao longo de toda a nossa existência...

"- Ouve lá - gorgolejou Morla, - nós somos velhas, pequeno, velhas demais. Já vivemos bastante. Já vimos muito. Para quem sabe tanto como nós, nada é importante. Tudo se repete eternamente, dia e noite, Verão e Inverno; o mundo está vazio e não tem significado. Tudo se move em círculos. O que aparece tem de desaparecer, o que nasce tem de morrer. Tudo passa, o bem e o mal, o estúpido e o inteligente, o belo e o feio. Tudo é vazio. Nada é real. Nada é importante."

"- Só podes descobrir os caminhos de Fantasia - disse Graograman - através dos teus desejos. E só podes ir de um desejo para outro. Aquilo que não desejas é inatingível para ti. É esse o significado das palavras perto e longe neste lugar. E também não basta quereres ir-te embora de um lugar. Tens de querer ir para outro. Tens de deixar que os teus desejos te conduzam."

"Mas como todas as verdadeiras transformações, esta processava-se também lenta e silenciosamente, por si própria, como o crescimento de uma planta."

Ah, pudera eu expressar convenientemente a força desta obra...

MJNuts

Thursday, September 16, 2010

Permanências

"Acredito que alguém que já foi importante na tua Vida dificilmente te sairá da memória por anos e até décadas, que a distância não é factor decisivo numa amizade, que o tempo também não será a desculpa para o fim e o silêncio não será definitivamente sinal de esquecimento... "

Tirado daqui.

MJNuts

Wednesday, September 15, 2010

Tudo o que podemos exigir




"See my side and I'll see yours better."





See my side, Jordin Sparks

Lili

Tuesday, September 14, 2010

Friday, September 3, 2010

?

"Viver é muito frustrante porque somos sempre uma versão mais estúpida do nosso Eu futuro!"

A Lili às vezes é brilhante.

MJNuts