Friday, April 30, 2010

Perturbações

Porque nem todos os segredos são alegres ou comoventes. E esses são precisamente os mais difíceis de carregar.




















MJNuts (do sítio do costume)

Tuesday, April 27, 2010

Raios Partam!

Então não é que a Lady Gaga vem a Lisboa no dia 10 de Dezembro e os sacanas dos bilhetes custam 65€?!? Mais do que para ver Madonna?!

Merda para isto também.

MJNuts

Bem, siga lá uma das minhas músicas preferidas dela então:

Monday, April 26, 2010

Super-Poderes

Um dia destes, uma criança pediu-me para a ajudar a puxar o Calippo para cima. Ela já tinha as mãos frias e rolava o gelado nas mãos. Rodava, rodava e o gelo permanecia no mesmo sítio.

Peguei no Calippo que ela me estendia de mãozinha esticada, tantos centímetros abaixo do meu rosto. Apertei o gelado, aqueci a embalagem. Momentos depois, o gelado verde já espreitava, pronto a ser comido.

Sorri-lhe, baixei a mão de encontro à dela e ela agradeceu.

Lembrei-me, nitidamente, de quando era criança e achava a minha mãe invencível por me conseguir abrir os gelados como se nada fosse. Gosto de ainda conseguir sentir que abrir um gelado é um super-poder.

MJNuts

Friday, April 23, 2010

Código Secreto

Para uma pessoa a dar para o descontrolada e inconveniente como eu, há certas coisas que me tiram do sério. Não são coisas importantes. Não tem a ver com ir a grandes jantares e pôr os cotovelos na mesa (coisa que apanhei do meu pai e nem sabia que era etiquetamente errado, enfim). Não. As regras de etiqueta são ou podem ser, em geral, ensinadas. A etiqueta, muitas vezes, envolve uma certa falta de educação quando não é cumprida. Não digo que a pessoa só diga asneiradas e humilhe toda a gente e não respeite os outros, não é essa falta de educação a que me refiro. É a falta de uma educação mais... fina, social.

Mas, neste caso, eu não estou a falar de etiqueta e sim daquelas regras de conduta secretas que todos os traunseuntes portugueses sabem ou pelo menos deveriam saber. Nunca ninguém fala nelas, mas elas existem e toda a gente sabe. É um grande segredo comunitário que liga a nossa existência no espaço partilhado por todos: a rua. É o Código Secreto. Como isto é segredo, se alguém não cumpre, não pode ser acusado de falta de educação. Só pode ser acusado de excelente capacidade de irritação.

Já estão a identificar alguma destas regras a que me refiro? Não?

Vou começar por uma simples, que em mim até não provoca danos quando não existe. Acabei de chegar a uma estação de metro, de comboio, uma paragem de autocarro... Estou sozinha. Onde me sento? Se responderam na ponta, estão certos. Se responderam no lugar ao lado do da ponta, também estão certos (isto porque o Código Secreto é compassivo e abrange as pessoas que, por motivos de obsessão-compulsão, têm graves problemas de pontas). E porquê a ponta? Porque, meus amigos, eu posso estar sozinha, mas pode vir a seguir um grupo de três amigos e querem todos sentar-se. É um pouco chato ficar um de pé, não é? Se fosse eu com os meus amigos, gostaria que alguém tivesse tido esse cuidado a sentar-se. São estes pequenos gestos. Mas como eu referi acima, quando alguém acha que o rei faz anos e se senta no meio, com ar de quem está no sofá da sala, não me incomoda por aí além. Geralmente, quando chegamos a uma estação ou paragem, é porque o nosso meio de transporte não está muito longe de chegar, por isso dá para aguentar um pedacinho em pé. Ainda assim, essa pessoa devia olhar menos para o umbigo e mais para a maravilha antropológica a decorrer à sua volta.

Outra das regras do Código Secreto é a já aqui debatida questão das escadas rolantes. É que francamente! As escadas são largas! Quer apreciar a paisagem, ponha-se do lado direito! Quer falar com amigos, faça lá cedências e fale de cima para baixo ou de baixo para cima durante um minuto, em vez de lado a lado. Será que as pessoas não se apercebem quando atrapalham o movimento normal das restantes?! Argh.

Enquanto as duas regras anteriores não consigo dizer que são do mundo, apenas reduzi-las à realidade que conheço em Portugal, esta aqui tenho a certeza que é internacional. Se um banco corrido de qualquer estação da CP em Lisboa dá para 7 ou 8 pessoas à vontade, ainda que algo apertadas, o máximo que se vê lá sentadas são 5, no máximo dos máximos 6 e é porque houve greve de comboios! Porquê? Porque isto, mais do que Código Secreto, é psicologia humana. Toda a gente tem direito ao seu espaço pessoal e só se entra nele quando convidado. Por isso aquelas 5 ou 6 pessoas estão o mais apertadas que conseguem sem terem de tocar umas nas outras. Por isso, nas horas de ponta em qualquer transporte, as pessoas esticam-se e encolhem-se o mais que podem, de forma a terem de tocar o mínimo possível no mínimo de pessoas possível. Se isto não estiver a acontecer, é porque ou estão no metro de Paris ou então está algum engraçadinho a assediar-vos.

E porque a minha capacidade de observação não é assim tão vasta, acabemos com a regra do Código Secreto que mais me irrita quando não é cumprida. Associo-a ao comboio e metro em Lisboa, principalmente comboio. Ora bem, não é hora de ponta, o comboio tem imensos lugares vazios. As pessoas podem não saber que há um Código Secreto, mas executam-no inconscientemente. Enquanto os houver livres, há apenas UMA pessoa em cada grupo de 4 assentos. Quando já há um indivíduo por cada 4 assentos, os novos passageiros têm de escolher a pessoa com quem lhe parece menos mal passar o resto da sua viagem. Mas atenção que esta pessoa chegou primeiro, já lá está. Durantes os curtos minutos das viagens daqui ali, a pessoa que chegou primeiro é senhora do Reino dos 4 Assentos. Como se presta vassalagem a est@ monarca de 10 minutos? Não se sentando à frente del@!!! Qualquer pessoa normal, se se puder sentar confortavelmente e estender as pernas à vontade, é assim que quer estar sentada!

(Vou fazer pausa para respirar fundo, porque isto irrita-me mesmo!)

Não acho normal uma pessoa ir sentar-se precisamente à frente da outra, quando tem dois lugares não nocivos onde sentar o rabo! É que sentar em frente tira o conforto e quebra a regra do espaço pessoal, porque volta e meia lá os pés ou joelhos têm de embaraçosamente tocar-se. Não acho normal, faço logo cara de má e mudo-me a grunhir para o lugar do lado. Não sabe o Código Secreto, aprenda-o com a experiência! Isto para dizer que, se por acaso são o passageiro que tem de ir importunar o Reino dos 4 Assentos, o lugar ideal para sentar é o lugar cruzado ao de quem já lá está (nem à frente, nem ao lado), mas também se aceita o lugar ao lado - mais uma vez, o Código é compassivo e percebe que há pessoas que enjoam de costas.

E tristemente só me lembro destas regras do Código Secreto. Já repararam em mais alguma?

MJNuts

Saturday, April 17, 2010

Escadas Rolantes II

Acho que escadas rolantes dão boas metáforas para a divisão das pessoas em dois grupos. Isto porque o mundo é feito de dicotomias. Eu já, em tempos idos, me aventurei a falar sobre elas, mas acho que o Bagaço Amarelo foi mais bem sucedido que eu:

"Em Inglaterra, quem sobe uma escada rolante qualquer encosta-se sempre à direita para deixar passar pelo seu lado esquerdo os que querem andar mais depressa. No metro de Londres, por exemplo, há mesmo sinais a pedir que os transeuntes façam isso e, de facto, as pessoas fazem-no. É um país onde há lugar para quem quer apenas deixar-se levar pela escada e para quem quer subir os degraus pelo seu próprio pé. Em Portugal, é comum ver duas pessoas paradas, lado a lado, numa escada rolante qualquer. Quem quiser andar mais depressa que espere.
Na vida também é assim. Há quem se deixe simplesmente levar por ela e há quem queira dar os seus próprios passos nessa imensa escada rolante que a vida é. Acredito que esta é uma das maiores incompatibilidades entre pessoas, e por isso mesmo será também a causa do fim de muitas relações. Não há problema nenhum, ou pelo menos eu nunca vi um problema nisso, desde que se suba essa escada como na Inglaterra e não como em Portugal. É só preciso ter a noção que entre quem se deixa levar e quem anda per si vai havendo uma distância cada vez maior."


Tristemente, nunca consegui acabar um post que se intitulava A Verdade da Moca e que se referia à minha mais recente viagem a Amesterdão. Algures nas mil ideias que ocorrem na moca, que se discutem na moca, que se viveram na moca, estava esta mesma: parar ou andar.

Eu cá acho que parar é morrer. Mas que há sempre tempo para uma pausa em que se respira fundo e se aprecia tudo o que está à volta antes de retomar a caminhada.

MJNuts

Espreitem o blog do senhor acima referido, que vale bem a pena.

Wednesday, April 14, 2010

Sebastián

Leo é um jovem de 23 anos, a adiar a escrita da sua tese de mestrado. Vive num apartamento com outro rapaz, que é também o seu senhorio e que vive praticamente da renda que lhe paga. Não são amigos, mas sentem respeito um pelo outro, não se metem onde não são chamados.

Leo é gay, mas não quer ser.

Não quer desiludir a mãe, que deixou no campo para vir em busca de uma vida melhor na cidade. Não quer ser diferente. Quer casar e ter filhos, seguir o percurso dito normal. Quer poder ser, simplesmente, sem discriminações nem contrariedades.

Por vergonha, por ignorância, por se querer esconder, Leo procura homens na Internet. Às vezes marca encontros e depois não tem coragem de dar a cara. Outra vezes, arrisca. E assim conhece Sebastián, que, apesar de também recorrer ao muitas vezes mal visto meio cibernético, é boa pessoa. É bonito e interessante e paciente e compreensivo.

Apaixonam-se e Leo é feliz. É feliz, mas não totalmente, porque continua com vergonha. Do que é, de quem é, de que os outros o saibam. Leo ainda não aprendeu a viver pela sua verdade, precisa da aprovação dos outros para se sentir confortável.

Sebastián é livre. Sebastián não se esconde atrás de mentiras e de fachadas. É o que é e mais ninguém tem nada a ver com isso.

O amor é um equilíbrio frágil que não desaparece perante a adversidade, mas que tristemente se apercebe quando não é suficiente. O amor é um equilíbrio frágil que sabe quando sair é melhor que permanecer.

E então Sebastián não aguenta mais e parte. Não é por falta de amor, é por falta de liberdade. Na escadaria que é a vida, o amor não aguenta infinitos degraus de separação.

Leo tem um psiquiatra. Há anos que o consulta, semanalmente. Há anos que lhe paga para lhe mentir, para deixar tudo à superfície sem aprofundar coisa nenhuma. Há anos que até na confidencialidade do consultório foge de si mesmo. Mas nunca é tarde para mudar.

- Hoje sinto-o triste, Leo. Que se passa?
- Sabe que, depois da minha namorada, encontrei uma pessoa...
- Então e essa pessoa fá-lo feliz?
- Sim.
- Porque está triste então?

Os olhos de Leo brilham, em silêncio. O brilho aguado das lágrimas que apertam o peito sem o aliviar.

- Como se chama essa pessoa?
- Sebastián.

Uma lágrima cai, finalmente. E os olhos de Leo são lindos e carregam mundos dentro deles. Naquele murmúrio, está a força de um amor. Naquele nome, está representado o medo que o paralisa.

O psiquiatra sorri, identificando uma ponta da verdade há tantas sessões escondida.

- Porque chora, Leo? Sebastián é um nome tão bonito...


MJNuts (inspirada/baseada no filme El Cuarto de Leo)

Friday, April 9, 2010

The Same Story

"People go on repeating the same thing, again and again. If you look at the faces of people in the world, you will be surprised: Why do all these people look so sad? Why do their eyes look as if they have lost all hope? The reason is simple; the reason is repetition. Man is intelligent; repetition creates boredom. Boredom brings a sadness because one knows what is going to happen tomorrow, and the day after tomorrow... until one goes into the grave, it will be the same, the same story."


MJNuts

Thursday, April 1, 2010

*suspiro*


"I saw the angel in the marble and carved until I set him free."

MJNuts

Imagem retirada deste blog.